PASTORAL

FUTEBOL E O CORAÇÃO CRISTÃO

“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.” (1João 5.21)

Eu gosto muito de futebol. Aliás, o brasileiro, de modo geral, é apaixonado pelo maior esporte do país. Em tempos de Copa do Mundo, até aqueles que pouco acompanham o futebol passam a assistir aos jogos, comentar as partidas, discutir quem deveria ter sido convocado e qual seria a melhor escalação da seleção. O futebol faz parte da nossa cultura e, como toda expressão cultural, pode ser desfrutado com alegria e gratidão a Deus.

Nós, reformados, não somos legalistas. Não afirmamos que futebol é “coisa do mundo” e, por isso, deve ser rejeitado. Afinal, estamos no mundo, embora não pertençamos ao mundo (Jo 17.14-16). Podemos apreciar um bom jogo, torcer por um time, reunir a família e os amigos para assistir a uma partida e agradecer a Deus pelos momentos de lazer.

O problema não está no futebol. O problema está no coração humano. A cultura foi afetada pela queda, e nossa natureza pecaminosa tem a capacidade de transformar coisas boas em ídolos. O pecado não cria; ele corrompe. Assim, até um esporte pode ocupar um lugar que pertence somente ao Senhor. Como isso acontece?

Primeiro, quando amamos mais o futebol do que a Deus. O salmista declara: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra” (Sl 73.25). O Senhor deve ser nossa maior alegria. Quando uma vitória do time nos emociona mais do que a graça do evangelho; quando conhecemos melhor a escalação da seleção do que as Escrituras; quando o futebol domina nossos pensamentos e afetos, algo está fora do lugar.

Segundo, quando priorizamos o futebol acima do Dia do Senhor. Em época de Copa do Mundo, de campeonatos decisivos ou de clássicos importantes, muitos cristãos são tentados a trocar o culto, a Escola Dominical ou outras atividades da igreja por uma partida. Contudo, o Senhor nos ensina a considerar o seu santo dia como deleitoso (Is 58.13-14). O culto público não pode ser tratado como um compromisso secundário. Nenhum jogo, por mais importante que pareça, vale mais do que reunir-se com o povo de Deus para adorá-lo.

Terceiro, quando o futebol desperta em nós atitudes pecaminosas. Quantas amizades são abaladas por discussões desnecessárias? Quantas palavras ofensivas são ditas por causa de um resultado? Quantos acessos de ira, xingamentos e falta de domínio próprio surgem diante de um jogo? O esporte deveria ser ocasião de lazer, não de pecado.

Aproveitemos o futebol, sim. Torçamos, celebremos, conversemos sobre o esporte. Mas façamos tudo com equilíbrio, gratidão e domínio próprio. Que jamais um estádio ocupe o lugar do templo, que um clube ocupe o lugar de Cristo, ou que um campeonato ocupe o lugar do Reino de Deus.

O melhor time ainda perde. O maior jogador um dia se aposenta. A taça mais desejada um dia enferruja. A glória eterna no futebol não é eterna. Porém, Cristo permanece para sempre, e o seu Reino jamais terá fim.

Rev. Jessé Vinícius